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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
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Batem à porta. Justina apressa-se a abri-la. Já estava à espera. Assim que a abre os seus olhos dirigem-se em primeiro lugar para João, uma criança de 6 anos. Justina sorri imediatamente para ele e só depois se dirige aos dois adultos que o acompanham.

 

Justina

Então este é que é o nosso João? - diz para os adultos, enquanto faz uma festa na cabeça da criança. - Entrem. - A doutora está à vossa espera.

 

João olha para Justina e inspira. O cheiro que Justina emana faz com que cores suaves surjam no seu cérebro. Entra e tenta sentir o cheiro daquele ambiente. Não são os quadros alegres, pendurados nas paredes, ou a luz que entra alegremente pela casa que lhe dão a informação que ele quer. Nada disso! São os cheiros que o ajudam a identificar tudo o que o rodeia, os cheiros e as cores que estes lhe provocam na sua cabeça. Aprendeu bem cedo a identificar os maus cheiros, aqueles que lhes preenchem a cabeça de cores violentas, que lhe dão náuseas e fortes dores de cabeça. Mas não eram esses cheiros que estava agora a sentir. Mais uma vez eram cheiros com cores suaves. Sorriu e olhou para os adultos que o acompanharam até àquela casa. Cheiravam a cinzento. Um cheiro normal em grande parte dos adultos com que ultimamente tinha lidado. Pareciam todos envolvidos numa ténue névoa de cinza que teimava em os rodear. Eram aquelas pessoas que faziam sorrisos forçados quando João os encarava. Que receavam falar com ele. Que, de vez em quando, faziam festas na sua cabeça, como se isso os aliviasse de algo. Que não sabiam muito bem de que forma deviam agarrar na sua pequena mão, quando queriam que João os seguisse. João tinha pena dos cinzentos, da névoa que os perseguia, do segredo que pareciam ter escondido dentro deles.

Viu-os a entrar para uma pequena sala, onde deveriam ir falar com a tal doutora e mostrar os montes de papéis que traziam numa pasta. Justina manteve-se junto de João.

 

Justina

Enquanto eles estão ali dentro a falar, vamos conhecer a tua nova casa e o teu quarto, pode ser?

 

João sorriu e abanou a cabeça em concordância. Estava curioso para cheirar todas as novas cores, que existem naquela enorme casa. Uma casa de acolhimento, para crianças vítimas de maus tratos.

publicado por Luis às 23:13
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4 comentários:
De xana a 30 de Abril de 2008 às 17:19
Bem, parece que tens formigas nos dedos e no cérebro, não páras! Isto já parece os CSI, há para todos os gostos, apenas com a variante de se passarem todas na terra da Paz, o Alentejo.
Mais uma história para nos fazer andar aqui a cuscar a ver quando há novidades. Ainda dizem mal dos alentejanos, mal deste país, não fossemos os alentejanos.
De Violeta a 6 de Maio de 2008 às 03:21
Mas qué isto senhores! Então agr há um puto sinestésico (hum?) e vítima de maus tratos? Medo!
De Isa a 18 de Maio de 2008 às 15:29
Onde está a continuação?
De Kiki a 26 de Maio de 2008 às 17:39
Este blog conta histórias...Reais certo?

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